terça-feira, 30 de abril de 2013

Desapego
Uma fase? Um sentimento? Uma obrigação?
Não sei, ainda não compreendo o que isso tem a ver com aquilo
Só sei que é assim que é, porque é como está agora.
Um adeus, alguns quilômetros, um gesto.
Tudo diminui e acrescenta seja pra cima ou para o lado
Cada coisa mostra a sua significância:

Um omelete amarelinho como o Sol
O doce sabor das nuvens
O tilintar das pedras

O brilho daquela pinta 
A Lua apagando o dia...
Nessa onda de crescer me espalhei tanto que trombei em você
E de repente tudo muda, de novo, um mundo novo!
Parei, respirei
E senti o seu cheiro, ele escorria de mim
Como as águas deslizam sobre as folhas
Me cheirei e pensei: me perdi.
Perdi meu cheiro, onde ele foi parar???
Você vem e diz: Babe, te achei aqui.
Ufaa!!!
Alquimia doida essa da gente
Ou seria física?
Sim porque tem aquela lei, de que óleo e água na se misturam.
Mas no nosso caso acho que tem mais a ver com química, que é onde se fazem as soluções.

Senti o toque da baqueta e dancei.
É tão bom tirar os pés do chão, que tenho me mantido suspensa.
Em outra galáxia
Onde as estrelas brilham mais
E a pintada onça, felino tão doce

Acorda as flores com seu rugido
E sob sua picante saliva
Me nina.


...dona da verdade e da vontade de viver...
Dafne Rufino


segunda-feira, 18 de março de 2013

Linha 8 - Diamante 

Em São Paulo pensar é quase externo. Em mim pensar é do avesso.
Em algum momento algo despertou aqui, fazia um som tão alto e tão estridente que eu não pude ignorá-lo, e como não encontrei o botão de desligar, resolvi me acostumar com tal som, fui entendê-lo.
De fato, não consegui, mas compreendi que seja talvez o alimento que me faz dar o próximo passo.
Estou pensando mais rápido do que consigo escrever, as idéias passam por minha cabeça e vão dando espaço a novas idéias. Hoje eu entendo que não só as idéias são assim, mas as pessoas e todas as outras coisas.
Falo a respeito de expandir meus horizontes, posso dizer que entendi o real sentido dessa frase e a sua extensão. Expandir meus horizontes, mudar o meu olhar, entender e permitir que há mais de um ângulo e ter o prazer ou/e a curiosidade de cutucá-los.
Descobri o segredo do guerreiro, que na verdade era o que eu imaginava, só me faltava a confirmação. A gente sabe das coisas. Sabemos como temos de agir, sabemos qual é o caminho e ouso dizer que sabemos a resposta, mas tem uma mania de fazer o contrário. É aquela velha mania de entender o que a pessoa disse mas perguntar de novo por puro, nem sei dizer porque fazemos/faço isso.
Acredito em sinais ou procuro sinais, ou ainda,  acredito em sinais e os procuro e por isso os crio. Mas de qualquer forma há coisas que são curiosas e que realmente parecem querer dizer algo.

Estou com olhos, ouvidos, todos os sentidos, o peito, os braços e a mente completamente abertos. Entendi que o que me move é o desejo e que realizá-lo não é tão bom quanto desejá-lo. Tenho amores platônicos e amo-os, não só os amores, mas a platonicidade deles. Eu sei que algum psicólogo ou filósofo, tipo Platão, deve ter explicado isso mas eu não quero entender, gosto mesmo de sentir.
Volto a minha velha filosofia infantil que é em suma exatamente o que é.
E a respeito de São Paulo, as paredes tem mais bocas que ouvidos. Elas tem olhos e um coração, o que é bem mais interessante.

"Amar o exclusivo é amar excluir" - disse a parede.
Dafne Rufino



quinta-feira, 1 de março de 2012

    Chega de rotina
   R O T A S
Chega de cobranças, 
C O B R A D O R E S
Chega de paciência
 P A Z




Ordem, meta, plano, regra
Eu passo.
Eu pulo e deixo que me empuuuuuuurrem 
pro espaço


Me puxe pelo cabelo e me tire do chão
Eu não aguento sentir o peso do meu corpo sobre meus pés
Meus delicados e frágeis pés que não querem mais andar
Eles e todo o resto de mim clamam:
"Me leve pelo braço e me faça dançar"



Todas as palavras soam dissonantes a mim
Machucam meus tímpanos e não fazem mais nada
Não me causam sensação alguma
Então
Grite comigo e me faça reagir!






                    l    v              e   t          l   u    a       
            minha                     ,                 ,                 mente 
                  e   e         l    n   a         o    c      
me puxa poço abaixo
no escuro, eu não enxergo o fim




I N E R T E


O silêncio adentra meus pulmões
E algo lá fora fisga meu sopro de ar


TUM TUM - TUM TUM
alguém bate na portar
é hora de acordar
.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Um complô do Destino com o Cosmo com os Deuses



Tinha planos,
Tinha horário
Tinha encontro
Mas uma simples sequência de atraso
Tudo mudou

Corre cotia, na casa da tia
Corre cipó, na casa da vó
Lencinho na mão, caiu no chão

Numa noite destinada a solidão
Veio a mim feito um raio
Mexeu com meus instintos e depois se escondeu.


Corre cotia, na casa da tia
Corre cipó, na casa da vó
Lencinho na mão, caiu no chão

Eu, curiosa que sou,
Segui seus passos
E a encontrei por trás da fumaça
Sozinha, misteriosa e calada
Com os olhos a fitar a Lua.
Lhe pedi que me desse
O estranho objeto
Capaz de fazer soltar ao vento
Todas as aflições que cortam a garganta.
Deu-me e nada falou.


Corre cotia, na casa da tia
Corre cipó, na casa da vó
Lencinho na mão, caiu no chão

Assustada,
Fugi pra onde se escondem
Os fracos que buscam um destino.
Pouco tempo depois a tal moça voltou
Me puxou pelos cabelos
Me dopou com seu veneno
E me ninou.


Corre cotia, na casa da tia
Corre cipó, na casa da vó
Lencinho na mão, caiu no chão
Moça bonita do me coração
Me prenda em teu seio e não solte mais não


...quem mandou brincar de amor comigo amor...
Dafne Rufino

domingo, 27 de fevereiro de 2011

SOS POR FAVOR

Eu quero ser abdusida pra Lua
Porque Vênus está em fúria
E as coisas aqui na Terra andam uma loucura

É ter que se tomar um rumo
É ter que viver o hoje pensando no futuro
Aqui São Jorge a gente tem que juntar dinheiro pra comprar pão
E pra sair de casa a gente tem que pagar
E paga pra dizer bom dia

Eu quero ser abdusida pra Lua
Porque Vênus está em fúria 
E as coisas aqui na Terra andam uma loucura

Não se pode sonhar
Não se pode se aventurar
Aqui São Jorge a gente tem que ficar com o pé atrás
Se um fez o outro também faz
O outro tem que se enquadrar nos padrões
E a gente chora e faz que é tudo ilusão

Eu quero ser abdusida pra Lua
Porque Vênus está em fúria
E as coisas aqui na Terra andam uma loucura

Então São Jorge me bote em cima desse teu cavalo
E me leve pra passear
Me apresente as estrelas e me deixe por lá
Que é pra eu esquecer de lembrar de viver

...vida que é doce levar avisa de lá que eu já sei...
Dafne Rufino

sábado, 5 de fevereiro de 2011


Eu tinha todos os motivos para faltar no trabalho
Eu não gosto de levantar cedo para fazer o que eu não gosto
Eu estava cansada
Eu estava sem despertador
Eu não estava afim de ir 
E o principal deles: havia uma mulher linda deitada ao meu lado
Doente, precisando de carinho e atenção
E eu estava super disposta a lhe oferecer tudo isso e muito mais
Ela estava lá como se fosse uma obra de arte
Deitada de bruços, com seus olhinhos fechados e as costas nuas sorrindo pra mim
E aí você é responsável demais
Levanta, se banha e vai trabalhar 
E chegando lá você é obrigado a limpar a sujeira que você não fez
A soltar animais de um ambiente e prendê-los em outro
E então você os prende no ambiente errado
Depois você lava todo o chão e molha-se com cloro
Em seguida toma um banho de peixes
E pra finalizar limpa mais uma vez a grande sujeira alheia
Durante todos estes acontecimentos a unica coisa que você pensa é
Há uma linda menina deitada em minha cama e eu quero que ela ainda esteja lá quando eu voltar
Mas você esquece que você a abandonou sozinha, doente e nua em um lugar desconhecido
E por você ser fraco a ponto de ser responsável ela se vai
Pelo menos no fim
Você consegue falar com ela 
E de brinde ainda sai com os seus amigos 
E aparece no trabalho virada.

Bom dia, eis que começa um novo e lindo dia!

...divinha o que primeiro vem amor ou vem dindim...
Dafne Rufino

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Você está me colocando numa brisa
Num desejo incontrolável
Que fica gritando aqui dentro e fazendo as minhas pernas tremerem como se eu fosse correr
Porque de alguma forma parece que eu tenho que correr pra tudo isso
Como se daqui a pouco nada disso fosse mais existir
Como se amanhã isso já não fosse como seria se fosse agora
E ai me bate um frio por dentro do corpo, uma cosquinha na nuca e fica uma voz ecoando e dizendo foge e vai atrás de tudo isso
Mas ai vem uma voz contra que diz, pensa um pouco você precisa de coisas,  de mais coisas pra fazer essas coisas
E ai eu fico pensando nessas outras coisas, e nas coisas que eu quero fazer
E ai eu não saiu do lugar
Acho que vou abandonar tudo
Porque a vontade que eu tenho agora é de renascer num arco-íris

...I'm a capturer, soul adventurer...
Dafne Rufino